style="width: 100%;" data-filename="retriever">
Há algumas décadas, bastava ter concluído um curso superior para ser chamado de doutor. Os tempos são outros, apesar do efeito Decotelli. O número de universidades públicas cresceu e as oportunidades para ingresso em curso superior também aumentaram. O cenário se alterou, mas a titulação indevida ainda é usual, muitas vezes, pelo desconhecimento do que esta representa e significa.
Esta tradição ainda é cultivada em algumas profissões. Não é raro assistirmos já no dia da formatura de graduação, a entrega do cartão de visitas trazendo Dr. ou Dra. Fulana de Tal.
Concluir um curso superior é uma vitória importante, sobretudo, por muitas vezes representar uma transformação de vida, a construção de uma nova história. Doutorado é a última etapa de formação de pós-graduação. As etapas são especialização (opcional), mestrado e doutorado.
A conclusão da graduação é pré-requisito para o ingresso no pós-graduação. A admissão é feita em processo de seletivo. São aprovados os melhores classificados, por meio de prova escrita, análise de currículo e avaliação de relevância e viabilidade de projeto, a ser desenvolvido no transcorrer do curso. São etapas rigorosas. O ingresso no mestrado e no doutorado requer diferentes seleções. O mestrado, em média, é concluído em dois anos. O doutorado leva o dobro do tempo, quatro anos. A concessão dos títulos, além da aprovação nas disciplinas e comprovação de suficiência em língua estrangeira, exige defesa preliminar perante banca de especialistas, qualificação do projeto. A partir de então, o projeto de dissertação, no caso do mestrado, e de tese no doutorado, recebem aprovação ou recomendação de ajustes para a continuidade. A etapa final para concessão do título é a defesa do projeto concluído perante nova banca com membros de outras instituições. Não há como ser doutor sem ser mestre.
A formação de pós-graduação é longa, criteriosa e rigorosa. Além de dedicação, exige abdicação da convivência com amigos, familiares, horas e horas de estudos e de pesquisas para ultrapassar dificuldades de idioma, bibliografia e recursos materiais. São tempos de julgamento permanente, seja pelo orientador, por outros colaboradores e professores, inclusive por familiares que, muitas vezes, não compreendem tanta dedicação. São noites, meses, anos de empenho quase exclusivo para conquistar a qualificação pessoal.
É por este motivo que aqueles que venceram estas árduas etapas da vida acadêmica viram com indignação, o meteórico ministro da Educação, dois dias, intitular-se, indevidamente, doutor, além das suspeitas de plágio na dissertação. Informação falsa não pode ser amenizada chamando de inconsistência. Informação falsa e apropriação de ideias alheias é roubo. É desonestidade intelectual. Ninguém é doutor sem doutorado, mesmo parecendo óbvio. É preciso combater a mentira, a falsidade. É preciso dar o devido valor a quem lutou, abdicou, se dedicou e conquistou - doutor é quem tem doutorado.